Poema do Verão

Despertar.

Boca seca,

corpo colado à cama,

um braço dormente procura o copo de água.

Seca esposa que bebe e não o enche.

O membro moribundo atira-o ao chão.

Mil pedaços como confettis,

seriam mais fáceis de aspirar,

mas a alcatifa estava velha.

Deserto na boca,

estala o cabedal da língua

abrem-se fendas como terramotos.

Engulo o calor que arde por um oceano.

Na barriga um rio a mão encontra,

tanta água de fortes correntes e algas finas.

Rio salgado são dedos na boca.

Olhos fechados, não há companhia,

apenas vergonha.

Despertar.

Boca seca,

corpo colado à cama.

Super Bock, ligar os motores,

daqui a pouco canta o galo.

tags:
publicado por fax às 06:47 link do post | comentar | favorito